ICS Portugal Social em Mudança_2021

62 Além da estabilidade governativa dos últimos anos, Portugal dispõe de uma tradição de ministros com elevada competência técnica e política. Esta ideia é comprovada pelo número de dias, desde 1999, que determinadas pastas ministeriais foram ocupadas por cada um de quatro perfis de ministros classificados com base na sua filiação partidária e competência técnica na respetiva pasta: generalista (com filiação partidária e sem competência técnica), especialista (com filiação partidária e competência técnica), tec - nocrata (sem filiação partidária e com competência técnica) e amador (sem filiação ou competência técnica). Como é possível verificar na figura 5.4, os perfis de tecnocrata e de especialista são claramente predominantes nas áreas económica e social. Já nas áreas macro existe um equilíbrio entre os perfis de tecnocrata, especialista e generalista. Contudo, na área da saúde tem existido um equilíbrio entre os perfis de amador, especialista e tecnocrata. A este propósito, importa ainda refletir sobre a composição do atual governo, tendo em conta esta classificação. Assim, é possível observar que a ministra da Saúde, Marta Temido, poderá ser considerada tecnocrata, dado que não tinha filiação partidária até agosto de 2021, mas tem competência técnica na área, uma vez que tem doutoramento em Saúde Internacional e vasta experiência de gestão de organismos ligados à saúde. Além do Ministério da Saúde, outros seis ministérios são ocupados por ministros que poderão ser considerados tecnocratas, sete como especialistas, quatro como generalistas e apenas dois como amadores. É uma situação não muito diferente da de Espanha, onde o peso dos ministros especialistas sempre foi limitado e o perfil de especialista partidário versus tecnocrata (sem experiência política) predominou. A maioria dos ministros da Saúde costuma ser especialista partidário ou generalista, como foi o caso dos ministros que administraram a pandemia: Salvador Illa, um po- lítico profissional que estudou filosofia, e Carolina Darias, uma jurista com vários cargos políticos subnacionais antes de chegar ao executivo (figura 5.5). Desde o início do novo milénio, a presença de ministros especialistas tem sido constante em Itália. Na verdade, se com- binarmos os dois perfis com experiência nas pastas ocupadas (tecnocratas e especialistas), eles representam o primeiro grupo em todas as áreas ministeriais. Considerando apenas a pasta da Saúde, a situação muda, sendo os ministros generalistas clara- mente maioritários: mesmo no governo tecnocrático formado em 2021 foi confirmado o ministro da Saúde generalista que administrou o início da pandemia no governo anterior (figura 5.6). Além da estabilidade governativa dos últimos anos, Portugal dispõe de uma tradição de ministros com elevada competência técnica e política. Competência técnica dos ministros de governo II

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