Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

15 o período em análise, demonstrando a resiliência da cobertura vacinal mesmo em contexto de crise, com Espanha, desde 2013, e Itália, em 2017, a encetar esforços nesse sentido. Apesar do cenário prometedor quanto ao alcance da meta da cobertura vacinal do sarampo, e apesar do recente esforço da Irlanda e da Itália, onde foi instituída a obrigatoriedade da vacina do sarampo em julho de 2017 (Ministero della Salute, 2017), o facto é que os dois países ainda registam taxas de cobertura aquém das desejáveis (ambos com 92%, nesse ano). A este respeito importa referir os alertas da Organização Mundial de Saúde relativamente ao impacto de movimentos antivacinação em alguns países e ao risco que tal representa para a saúde pública (Serviço Nacional de Saúde, 2019), nomeadamente em Itália, onde em 2017 foram ainda reportados 5004 casos de sarampo (82,5 casos por milhão de habitantes), muito acima do número registado em Portugal (34 casos; 3,3 casos por milhão de habitantes) (WHO, 2018). Mortalidade por sinistralidade rodoviária Todos os anos os acidentes de viação vitimam mortalmente crianças e jovens enquanto peões, passageiros ou condutores, constituindo mesmo uma das principais causas de morte entre os jovens. Com o objetivo de agilizar a adoção de medidas de segurança rodoviária na Europa, o Conselho da União Europeia aprovou, em dezembro de 1993 (93/704/CE), a criação de uma base de dados internacional sobre a sinistralidade rodoviária CARE - Community database on Accidents on the Roads in Europe. Além de um conhecimento pormenorizado da realidade de cada Estado-membro, a CARE veio possibilitar o estabelecimento de metas de segurança rodoviária a nível europeu. A Figura 1.4 revela que os cinco países têm registado progressos assinaláveis na redução da mortalidade por sinistralidade rodoviária de crianças e jovens, em convergência com a meta do ODS em análise. Em resultado da redução da circulação automóvel que ocorreu durante a crise, entre 2008 e 2013 registou-se um recuo expressivo da taxa de mortalidade, visível sobretudo na Grécia, Itália e Espanha, no escalão etário dos 18-24 anos e na população do sexo masculino. Não obstante, entre 2013 e 2016 os progressos foram mais tímidos em todos os países, com a Grécia a registar ainda valores A sinistralidade rodoviária continua a vitimar mortalmente, e muito particularmente, os jovens do sexo masculino. visivelmente acima dos demais e a Espanha a registar mesmo um pequeno aumento no caso dos jovens de 18-24 anos. Não podemos deixar de sugerir que para o abrandamento dos progressos dos últimos anos poderão ter contribuído vários fatores, entre os quais o aumento do número de veículos em circulação em resultado da retoma económica (International Transport Forum, 2015, 2018) e a crescente utilização de dispositivos móveis por parte de condutores e peões (Mwakalonge, Saidi e White, 2015), o que coloca desafios a ter em conta pelas políticas de segurança rodoviária. A análise permite ainda perceber que, entre a população mais jovem, a probabilidade de ser vítima mortal da sinistralidade rodoviária aumenta com a idade: há mais óbitos no escalão etário 18-24 do que no escalão 15-17; e há mais óbitos neste escalão do que no 0-14. Não menos relevante é a mortalidade rodoviária ser muito mais frequente entre os rapazes do que entre as raparigas e logo desde os 15-17 anos. Em parte, tal fica a dever-se à crescente autonomização das crianças mais velhas e dos jovens nas deslocações; mas também à maior exposição dos rapazes a comportamentos de risco. Esta desigualdade de género na sinistralidade revela como os jovens do sexo masculino estão mais distantes da concretização do ODS 3 em matéria de segurança rodoviária (Cunha et al. , 2018).

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