Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Em segundo lugar, constata-se que o risco de pobreza aumenta com a idade, afetando particularmente os jovens adolescentes (12-17 anos). Na Grécia, por exemplo, a partir de 2012 o indicador neste grupo etário ultrapassou os 40%, o que significa que quase metade dos jovens adolescentes vive em situação de vulnerabilidade económica e social. São, portanto, as crianças mais pequenas (<6 anos), em todos os países, que apresentam um menor risco, o que sugere o impacto positivo dos apoios sociais dirigidos à população infantil na mitigação da vulnerabilidade económica, com a Irlanda e Portugal a registarem mesmo uma melhoria deste indicador relativamente a 2007. Privação material: incapacidade de fazer frente a despesas regulares A privação material é outro indicador sintético de avaliação da vulnerabilidade económica e social das famílias, que mede a intensidade da incapacidade de os agregados realizarem despesas ou adquirirem bens duradouros não supérfluos baseado em nove itens. Um desses itens é a incapacidade de frente a despesas regulares e correntes (alojamento, água, luz, etc.). A análise da Figura 1.2 permite fazer duas observações. A primeira é que ocorrem duas tendências de fundo neste arco temporal e que não diferenciam os países entre si (nem estes relativamente à UE28): os agregados em risco de pobreza apresentam piores resultados do que os agregados em geral; e os agregados com crianças apresentam piores resultados do que os agregados sem crianças. Isto significa que tanto o risco de pobreza como a presença de crianças no agregado constituem preditores da incapacidade de fazer frente a despesas regulares e correntes, pelo que são as famílias em risco de pobreza com crianças as mais penalizadas. A este respeito, a Grécia destaca-se por apresentar uma incidência particularmente elevada neste item de privação material, com valores sempre superiores a 20% ao longo do período em análise, chegando mesmo a atingir valores máximos de 79% dos agregados em risco de pobreza com crianças em 2014 e As crianças mais pequenas (<6 anos), em todos os países, apresentam um menor risco [de pobreza], o que sugere o impacto positivo dos apoios sociais dirigidos à população infantil. de 46% do total dos agregados no ano seguinte. A segunda observação prende-se com o impacto da crise no agravamento das condições de vida dos agregados e a capacidade de recuperação no período sequente. Com efeito, é expressivo o aumento de agregados com incapacidade de fazer frente a despesas regulares durante os anos da crise, mais ainda no caso dos agregados em risco de pobreza, sobretudo a partir de 2009. O ano de 2015 marca a viragem na tendência, conhecendo-se desde então um gradual desagravamento da privação, embora a sua incidência se mantenha acima dos valores pré-crise. Diferente foi o caso de Itália: não só o impacto da crise foi menor, mais tardio e menos duradouro, como o desagravamento da incapacidade referida foi mais rápido e consequente, em especial para os agregados em risco de pobreza. 12

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