ICS Portugal Social em Mudança 2017 - Retratos Municipais
V Conclusão Em termos finais, importa sublinhar os principais resultados da análise realizada. Em primeiro lugar, relativamente às incapacidades e limitações funcionais, observou-se uma hierarquização que coloca à frente os problemas de natureza motora, seguidos dos sensoriais e, por último, dos cognitivos. Apesar desta hierarquização, a distribuição geográfica é bastante semelhante, destacando um país tripartido entre áreas litorais em torno do Porto, Lisboa/Setúbal e Algarve; áreas de interioridade e de baixa densidade populacional, onde se integram a maioria dos municípios; e áreas de transição, seja por aproximação ao Litoral, seja por concentrações populacionais mais significativas. Esta distribuição das incapacidades e limitações funcionais tende a recobrir a distribuição do índice de envelhecimento. Os agregados unipessoais e as condições habitacionais têm, contudo, distribuições bastante diferentes. Simplificando, a primeira destaca sobretudo um Norte Litoral com uma menor percentagem de pessoas sós, possivelmente relacionada com estruturas familiares mais densas, enquanto a segunda distribuição faz sobretudo sobressair um contraste entre Norte e Sul, com o primeiro a exibir condições habitacionais menos favoráveis. A combinação das variáveis relativas às incapacidades e limitações funcionais, às pessoas que vivem sós e às condições habitacionais permitiu identificar quatro grupos. O aspeto mais relevante diz respeito a Lisboa e ao Porto (Grupo 1), que, embora apresentem os níveis mais elevados de agregados unipessoais e de condições habitacionais menos favoráveis, revelam menos problemas de autonomia funcional. Esta relação é tanto mais interessante quanto o Grupo 1 exibe valores mais acentuados em termos de envelhecimento, pelo que este nem sempre está associado aos problemas de autonomia funcional. Porém, nos restantes grupos tende a verificar-se que quanto mais envelhecidos os municípios que os compõem, maior o peso das pessoas que vivem sozinhas e os problemas de autonomia funcional. A exceção de Lisboa e Porto chama à atenção para o facto de a distribuição geográfica da população com problemas de autonomia funcional não se sobrepor completamente às tendências do envelhecimento, sendo necessário ter em conta outros aspetos das estruturas populacionais, além da idade. No caso em apreço, a existência de menos problemas de autonomia funcional revela a necessidade de considerar outras variáveis, designadamente a estrutura socioeconómica do município e as condições de saúde da população. Neste sentido, esta análise sugere o interesse em considerar também as desigualdades socioeconómicas no estudo da distribuição geográfica da população com problemas de autonomia funcional. Bandeira, M.L. (org.). 2014. Dinâmicas Demográficas e Envelhecimento da População Portuguesa 1950-2011: Evolução e Perspectivas. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. Cabral, M.V. (org.). 2013. Processos de Envelhecimento em Portugal: Usos do tempo, redes sociais e condições de vida. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. INE. 2011. Questionário Individual . Instituto Nacional de Estatística. INE. 2011. Questionário de Edifício . Instituto Nacional de Estatística. referências bibliográficas 67
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