ICS Portugal Social em Mudança 2015
EUROPA DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDENCIAIS FAMÍLIAS EM RISCO DE POBREZA ABASTECIMENTO DE ÁGUA FERTILIDADE DESEMPREGO JUVENIL FELICIDADE JOVEM DIVERGÊNCIA CONVERGÊNCIA HORAS SEMANAIS DE TRABALHO RECICLAGEM EDUCAÇÃO JUVENIL TERCIÁRIA Estamos a convergir ou a divergir em relação à média comunitária? A diversidade de domínios e de indicadores levados em consideração não permite uma resposta unívoca a esta questão. Há aspetos em que persiste uma tendência de convergência (por exemplo, percentagem de jovens com 30-34 anos com nível de educação terciário) ou até de superação dos valores médios da União Europeia (práticas de separação de resíduos urbanos). Mas são diversos os indicadores que, encontrando-se há vários anos numa trajetória de aproximação às respetivas médias comunitárias, desaceleraram ou inverteram essa tendência em domínios tão distintos como a produção de resíduos urbanos per capita ou a taxa de reciclagem, o desempre- go juvenil ou a perceção de felicidade dos jovens, ou ainda o número de horas semanais de trabalho a tempo inteiro. Os pontos de inflexão destes vários indicadores tendem a situar-se entre 2009 e 2011 e são um claro reflexo da crise financeira e económica iniciada em 2008 e das medidas de austeridade que daí decorreram. O contexto de crise deteriorou situações (aumento do risco de pobreza em famílias com crianças, por exemplo), alterou perceções (aumento dos graus de insatisfação e de desconfiança) e práticas, nomeadamente por parte das famílias visando fazer face à deterioração das condições materiais de vida e de prestação de alguns serviços públicos (queda da fecundidade, alteração da divisão conjugal do trabalho remunerado, redução do número de divórcios, etc.). Nos anos de 2013 e 2014 verificaram-se sinais pontuais de desaceleração ou mesmo de inversão em algumas tendências de divergência. Conforme foi sublinhado nas secções anteriores, são múltiplas as razões que podem ter contribuído para este tipo de comportamento, pelo que é prematuro concluir que se regressou de forma sustentada a trajetórias de convergência com as médias comunitárias. A evolução ocorrida nos últimos anos não decorreu apenas do efeito conjugado de trajetórias históricas de convergência e dos efeitos da crise iniciada em 2008. Fatores como os ciclos governativos ou até os ciclos de programação comunitária, ao definirem opções políticas e investimentos prioritários distintos, podem ter igualmente uma importância significativa nas situações, perceções e práticas analisadas, mesmo que as suas consequências não se façam sentir de imediato. O Portugal social está hoje certamente mais europeu do que no início do século. No entanto, ao desacelerar ou interromper esse processo de convergência, a crise financeira e económica colocou a nu várias das vulnerabilidades estruturais da socieda- de portuguesa. Ao mesmo tempo, porém, permitiu identificar focos de resiliência e de adaptação transformadora por parte dos cidadãos e das famílias. Num período que é sem dúvida de charneira, os portugueses oscilam entre a insatisfação e a conscienciali- zação, a desconfiança e o sentido crítico, o recurso a comportamentos reativos e a emergência de novas práticas, a reversibilidade de tendências de convergência e a capacidade de afirmar trajetórias sustentadas de desenvolvimento. Os próximos núme- ros do Portugal Social em Mudança procurarão desvendar e compreender estas várias tensões, atualizando a informação relativa aos domínios analisados e alargando o âmbito de observação através da incorporação de novas áreas e de questões adicionais. 69
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