ICS Portugal Social em Mudança 2015
Evolução da confiança em Portugal III Confiança nas fontes de informação ambiental IV No período 2002-2012, apenas a confiança na polícia aumentou ligeiramente, tendo a confiança no parlamento sofrido a maior quebra. Os dados do European Social Survey permitem-nos ainda ter uma perspetiva da evolução da confiança nas cinco dimensões anteriormente analisadas. Na Figura 5.6 podemos ver como a confiança é, apesar de tudo, um fenómeno relativamente estável. Em 2002 a confiança na política e nos políticos ocupava a posição mais baixa, enquanto os níveis de confiança nas restantes instituições e nas pessoas partilhavam valores igualmente baixos, apesar de tudo próximos do ponto médio da escala. A partir de 2006, esta separação começa a diluir-se com a descida generalizada dos níveis de confiança, tendência que se mantém observável até 2012. Comparando os dados de 2012 com os de 2002, apenas a confiança na polícia aumentou ligeiramente, tendo a confiança no parlamento sido a que maior queda registou (em 2002 a média era de 4,5, em 2012 passou para 2,5). Considerando que a confiança está relacionada com a perceção, por um lado, de que as pessoas são honestas e se preocupam umas com as outras e, por outro, de que as instituições servem os cidadãos defendendo os seus direitos e os seus interesses, esta quebra de uma confiança já de si baixa não será certamente alheia ao clima socioeconómico que o país vive desde 2008 e às consequências diretas no dia a dia dos portugueses. Mas só um estudo aprofundado poderá levantar o véu que cobre as razões desta possível associação. No domínio ambiental, a dimensão da confiança está geralmente associada nos inquéritos de opinião a uma pluralidade de atores, entre os quais têm particular destaque os atores políticos (governos, instâncias supranacionais), as organizações de sociedade civil (organizações não governamentais de ambiente, associa- ções de consumidores) e os meios de comunicação social, sobretudo no seu papel como fontes de informa- ção fidedigna. Tomando o mais recente Eurobarómetro sobre questões ambientais como referência (Special Eurobaro- meter 416, 2014), verifica-se que em termos médios (quando consideradas as 17 variáveis – ver Figura 5.9), tal como nos indicadores anteriores, Portugal revela índices de confiança mais baixos do que os seus congé- neres europeus (Figura 5.7). É também notória uma clivagem Norte-Centro-Sul e Este-Oeste: as taxas de confiança mais elevadas registam-se nos países nórdicos, as intermédias no centro da Europa e as mais baixas no Sul e no Leste. Os países nórdicos, em conjunto com a Áustria, o Chipre e a Holanda, lideram o índice geral de confiança (todos superiores a 18%). A uma grande distância surge Portugal que, a par da Roménia, Letónia, Itália e Hungria, não ultrapassam os 15%. No entanto, este padrão inverte-se quando se isola a televisão como fonte de informação ambiental (a fonte mais frequentemente mencionada em Portugal, como abaixo se verá) (Figura 5.8). É substancialmente maior a confiança na televisão em Portugal e nos países do Leste (com destaque para a Roménia e a Bulgária; são estes três países, aliás, os únicos a ultrapassar a fasquia dos 55% de confiança na televisão entre os 28 Estados- -membros) e tende a decrescer à medida que se caminha para o centro e para o norte da Europa. 63
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