ICS Portugal Social em Mudança 2015

Confiança interpessoal I Confiança nas instituições II Portugal, Polónia, Ucrânia, Eslováquia e Bulgária são os países onde se regista uma clara falta de confiança interpessoal. A confiança interpessoal foi medida através de três perguntas, que foram posteriormente agregadas num índice. As perguntas fazem parte do European Social Survey e são as seguintes: 1) De uma forma geral, acha que todo o cuidado é pouco quando se lida com as pessoas ou acha que se pode confiar na maioria das pessoas? 2) Acha que a maior parte das pessoas tentam aprovei- tar-se de si sempre que podem, ou pensa que a maior parte das pessoas são honestas? 3) Acha que, na maior parte das vezes, as pessoas estão preocupadas com elas próprias ou acha que tentam ajudar os outros? As respostas eram dadas numa escala de 0 a 10, em que 0 representa a atitude menos confiante e 10 a mais confiante. A Figura 5.1 mostra Portugal, a Polónia, a Ucrânia, a Eslováquia e a Bulgária como os países onde se registam valores abaixo do ponto médio da escala (5), indicativos de clara falta de confiança. Os países nórdicos (Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia) são, em contrapartida, aqueles em que se observam níveis mais elevados de confiança interpessoal, apresentando, juntamente com a Holanda e a Suíça, valores sistematicamente acima do ponto médio da escala (5), indicativos de franca confiança. Os países do centro da Europa (a que se junta a Espanha) registam valores intermédios de confiança. A par da confiança interpessoal foi também perguntado o grau de confiança que um número alargado de instituições inspirava nos inquiridos. As instituições foram as seguintes: parlamento nacional, sistema legal, polícia, políticos e política. A análise da confiança nas instituições revela contrastes e semelhanças muito interessantes entre os vários países europeus (Figuras 5.2 a 5.5). Antes de mais podemos ver como, de uma forma geral, o padrão de confiança por conjunto de países se mantém relativamente ao observado no caso da confiança interpessoal, sendo os nórdicos os que mais confiam também nas instituições e Portugal e os antigos países de Leste os que menos confiam. A confiança, seja em pessoas ou em instituições, parece, assim, ter alicerces comuns. No que se refere a contrastes, o maior será talvez a diferença que separa a polícia da política (e dos políticos). Em todos os países é manifesta a confiança na polícia, e mesmo não estando Portugal entre os países com valores mais elevados também aqui a confiança na polícia supera os níveis de confiança nas restantes instituições. No extremo oposto encontramos dois alvos de avaliação dificilmen- te dissociáveis, a classe política e a política. O descrédito é generali- zado. Mesmo nos países nórdicos, o valor máximo de confiança situa-se apenas um ponto acima da média da escala. Apesar de também se tratar de uma instituição do foro político, o parlamento nacional regista níveis de confiança superiores. Possivelmente, o parlamento é avaliado como uma instituição estável e fundamental do sistema democrático. Os políticos (e a política) têm um impacto muito mais direto na vida das pessoas, ficando por isso mais vulnerá- veis a serem associados a medidas concretas (cortes nas remunera- ções, desemprego, etc.) e alvo de generalizações de casos mediáti- cos (em Portugal os exemplos de José Sócrates e de Miguel Relvas, na Holanda a recente situação de envolvimento do ministro da justiça Ivo Opstelten com um barão da droga). Note-se ainda que só no caso da confiança nas instituições Portugal se assemelha aos países de Leste. O sistema legal é igualmente das instituições mais credíveis, sendo apenas alvo de desconfiança maioritária na Ucrânia e na Bulgária, aliás os dois únicos países que estão sistematicamente entre os que menos confiam, seja nas pessoas seja nas instituições. 61

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