ICS Portugal Social em Mudança 2015
CONFIANÇA PORTUGAL NO CONTEXTO EUROPEU EM ANOS DE CRISE 5 Porque confiamos uns nos outros ou nas instituições que regulam o nosso quotidiano? Quais são as implicações que daí advêm para a formação dos futuros cidadãos e para o funcionamento da sociedade? As pessoas mais confiantes são mais felizes? Ana Delicado, Alice Ramos, José Gomes Ferreira, João Guerra, Jussara Rowland Estes são apenas alguns exemplos de perguntas que têm preocupado cientistas sociais de diferentes áreas, e que nem sempre conseguiram obter uma resposta conclusiva. De acordo com Putnam (2000), uma sociedade caracterizada pela reciprocidade generalizada é mais eficiente do que uma sociedade onde reina a desconfiança: a confiança é um lubrificante da vida social que funciona como um facilitador de relações, sejam elas interpessoais ou institucio- nais. A confiança permite delegar e, quer se trate de um grupo de amigos, de uma família, de uma empresa ou da governação de um país, confiar que estamos todos a trabalhar para um mesmo objetivo simplifica as regras e reduz o conflito. A confiança está associada aos valores do universalismo e à preocupação com o bem-estar da humanidade, à abertura a diferentes formas de pensar e de viver. A confiança gera empatia e a empatia também é social. Contudo, a confiança é um sentimento difícil de conquistar e talvez aquele que, uma vez perdido, mais difícil é de recuperar. Em todos os inquéritos europeus nos quais a confiança é tema, os portugueses destacam-se consistentemente pela desconfiança manifestada. Seja no plano individual, seja no institucional, os portugueses tendem a não confiar. Porquê? Sociólogos, psicólogos sociais, cientistas políticos, filósofos, têm procurado responder a esta pergunta. Tendo-se encontrado regularidades (por exemplo, baixos níveis de escolaridade, de bem-es- tar, de perceção de controlo sobre a vida ou de participação cívica estão associados a baixos níveis de confiança), ainda estão por encontrar os fatores que explicam por que razão os cidadãos dos países nórdicos apresentam os níveis mais altos de confiança e os portugueses (juntamente com cidadãos dos ex-países de Leste) os mais baixos. Vejamos, então, qual o panorama da confiança em Portugal e na Europa. 59
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1