ICS Portugal Social em Mudança 2015
Conclusão V Em Portugal, a população jovem está fortemente vulnerável aos efeitos da crise económica. Os elevados níveis de qualificação representam um atributo genérico da população jovem que vive na União Europeia. A percentagem de jovens adultos com diploma superior não tem parado de crescer ao longo do tempo e Portugal, neste domínio, tem registado uma notável aproxi- mação à média europeia. Se os dados da escolarização dos jovens na União Europeia revelam uma tendência positiva, já a análise de outros indicadores evidencia algumas das dificuldades com que a população jovem se tem vindo a debater nos últimos anos, agravadas pelo impacto da recente crise económica. E comprova a sua incidência diversa no espaço europeu, marcado por duas realidades com contornos bem distintos: a dos países do Sul e do Leste, por um lado, e a dos países do Norte e Centro, por outro. Observando elementos-chave para a autonomização dos jovens, como sejam o acesso ao emprego, constatam-se de facto fortíssimas assimetrias no espaço europeu. Os impac- tos da crise atingem de forma particularmente intensa a população jovem que vive em países como a Grécia, Espanha, Itália, Croácia, Chipre, Roménia e Bulgária, refletidos quer na diminuição das taxas de emprego, quer no aumento das taxas de desemprego aí observados. Por contraste, em países como a Suécia, Áustria, Alemanha, Holanda e Malta os jovens estão mais salvaguardados desses efeitos, uma vez que encontram mais facilidade em obter emprego após concluídos os estudos. Talvez por isso, e pelos apoios sociais de que usufruem, a propensão para o empreendedorismo junto dos jovens destes e de outros países do centro da Europa revela-se bem menor do que entre os jovens que vivem em países mais afetados do ponto de vista económico. Portugal inscreve-se no primeiro contingente de países, com a população jovem fortemente vulnerável aos efeitos da crise económica. Não obstante, em todos os países europeus, ricos ou pobres, a ameaça de precariedade nas relações laborais constitui preocupação comum aos jovens – ainda que mais acentuada entre os que vivem em países com economias mais débeis. A escassez de apoios sociais, aliada a uma conjuntura económica desfavorável e a fatores culturais mais impregnantes, estarão na origem de um retardamento da saída de casa dos pais por parte dos jovens que residem nos países do Sul, mas também do Leste europeu. Portugal não é exceção. As elevadas idades médias estimadas para a saída de casa dos pais revelam acrescidas dificuldades de autonomização, nomeada- mente residenciais, que se oferecem aos jovens. Este conjunto de bloqueamentos às transições juvenis, nomeadamente em países como Portugal, não deixa de ter reflexos na perceção de felicidade manifestada pelos mais novos: em tempos de crise, o seu grau de felicidade diminui. referências bibliográficas Alves, N. A., Cantante, F., Baptista, I. e Carmo R. M. 2011, Jovens em Transições Precárias. Trabalho, Quotidiano e Futuro. Lisboa: Mundos Sociais. Pais, J. M., Ferreira, V. S. (Eds.). 2010. T empos e transições de vida: Portugal ao espelho da Europa . Lisboa: ICS. 57
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