ICS Portugal Social em Mudança 2015
Desemprego e propensão para o empreendedorismo III A progressiva dificuldade de inserção profissional dos jovens diplomados no mercado de trabalho deve ser contextualizada no fenómeno mais abrangente do aumento das taxas de desempre- go na União Europeia nos últimos anos. Em Portugal, o aumento do desemprego, em parte como consequência da crise econó- mica, foi particularmente sentido por parte da população mais jovem, tendo atingindo, em 2013, o valor de 28,9% entre os indivíduos dos 15 aos 29 anos (Figura 4.9). Em comparação com a média da União Europeia, Portugal tinha, no início do século, taxas de desemprego jovem muito mais baixas (6,2% vs. 14,8%). O crescimento do desemprego jovem foi no entanto aumentando de forma progressiva, distanciando-se consideravel- mente dos valores da UE a partir de 2011. Em 2014 a taxa de desemprego da população com idades compreendidas entre os 15 e os 29 anos fixava-se em 25,4% em Portugal, bem acima dos 17,7% registados na UE28. Ao longo do mesmo período de referência, a taxa de desemprego jovem para a média da União Europeia manteve-se mais constante, tendo no entanto também aumentado a partir de 2011, chegando a valores próximos dos 19% em 2013. No interior da União Europeia sempre existiram situações muito diversificadas em relação ao desemprego juvenil. A crise, contudo, veio agravar essas diferenças, tendo os valores mantido-se relativamente baixos em alguns países – Alemanha (6,9%), Áustria (8,9%) e Malta (8,9%), países que em 2014 tinham uma taxa de desemprego jovem com valores abaixo dos 10% – e aumentado drasticamente em alguns casos, nomeada- mente no sul da Europa e em alguns países de Leste (Figura 4.10). Em 2014, entre os países com mais altas taxas de desem- prego jovem, a Grécia apresentava a situação mais preocupante com uma taxa de desemprego de 45% nos jovens entre os 15 e os 29 anos, seguida da Espanha (39,7%), Croácia (32,3%), Itália (31,6%), República de Chipre (26,2%) e Portugal. Com o aumento do desemprego entre os jovens que tem emergido em Portugal, como noutros países afetados pela crise, um discurso de responsabilização do jovem desempregado pela situação em que se encontra, alimentado pelo crescente incentivo a práticas de criação do próprio emprego e pelo pressuposto de que Portugal tem baixos níveis de empreendedorismo. Uma questão do Euroba- rómetro em que se avalia o posicionamento dos jovens em relação à hipótese de criação do seu próprio negócio vem no entanto evidenciar que os jovens portugueses apresentam valores muito próximos da média dos jovens na UE28 (Figura 4.12). De facto em 2014, 5,7% dos jovens portugueses já tinha criado uma empresa (contra 5,1% dos jovens da UE), 16,7% gostaria de criar uma empresa nos próximos anos, 30,2% gostaria de vir a abrir uma empresa, mas consideravam que era demasia- do difícil e 2,9% tentára abrir uma empresa, mas desisti- ram por ser demasiado difícil. Menos de metade dos jovens portugueses indicava não querer abrir uma empresa (44,5%), quando a média para os jovens da União Europeia era bastante superior (53,1%). Ao analisar a percentagem de jovens que declara não querer abrir uma empresa nos diferentes países da União Europeia, verifica-se que é nos países de Leste e no Sul da Europa que os jovens menos repudiam a hipótese de montar o seu próprio negócio (Figura 4.11). Apenas 18,7% dos jovens búlgaros, 25,5% dos jovens letões, 28,5% dos jovens croatas, 30,1% dos jovens lituanos e 31,1% dos jovens romenos afirmam não o querer fazer. Os países do Sul da Europa, como Itália (35,5%), Grécia (36,1%), Chipre (36,2%), Portugal (44,5%) e Espanha (48,3%), apresentam também valores bastante abaixo da média europeia em relação a esta questão. Em contracorrente encontramos os países que oferecem aos jovens uma situação laboral mais estável e/ou mais apoios sociais. Em países como Alemanha (73%), Holanda (70,9%), Áustria (68,3%), Dinamarca (62,2%), Reino Unido (61,2%), Finlândia (60,6%) e Suécia (59,9%) existe uma menor propensão para o empreendedorismo entre as faixas mais jovens da população, posição que é muito possivelmente incenti- vada pelas condições laborais satisfatórias que o mercado de trabalho oferece nesses países à grande maioria da população jovem. 52
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1