ICS Portugal Social em Mudança 2015
TRANSIÇÕES JUVENIS EM PORTUGAL E NA EUROPA PORTUGAL NO CONTEXTO EUROPEU EM ANOS DE CRISE 4 Jussara Rowland, Maria Manuel Vieira Com o impacto da crise económica e financeira na Europa, assiste-se à situação paradoxal de nos confrontarmos atualmente com uma geração que, sendo embora a mais qualificada de sempre, enfrenta uma situação de precarização acentuada das suas condições de vida. Ao longo das últimas décadas tem-se assistido, em toda a Europa, ao crescente alonga- mento e complexificação dos processos de transição dos jovens para a vida adulta. As trajetó- rias juvenis são atualmente marcadas por uma maior indeterminação, consequência de mudanças sociais e económicas, mas também de alterações de crenças e de valores no seio desta população (Alves et al. , 2011). Se a melhoria dos níveis de escolaridade é uma realidade entre os jovens, a precarização das condições sociais e laborais dos jovens é um fenómeno igualmente estruturante da condição juvenil atual, que tem vindo progressivamente a dificultar o acesso a condições de independência económica e de real autonomização desta faixa etária (Pais e Ferreira, 2010). Com o objetivo de melhor mapear tais fenómenos, este texto foca-se na análise de uma seleção de indicadores-chave (de escolarização, de transição para o mercado de trabalho e de autonomização), analisados quer do ponto de vista da sua evolução longitudinal (em Portugal e na Europa) quer do ponto de vista sincrónico, comparando os vários países europeus num dado momento específico. Mais concretamente, pretende-se retratar algumas especificidades das realidades atuais dos jovens, não só do ponto de vista das suas condições objetivas, mas também do ponto de vista das suas avaliações subjetivas, tendo neste caso como base indicadores retirados de questionários à juventude aplicados recentemente na União Europeia. Tendo em conta a sua pertinência no atual contexto económico, é dado especial enfoque à perceção dos jovens em relação a questões relacionadas com a transição para o mercado de trabalho, nomeadamente a sua avaliação sobre a adequação da formação escolar ao mundo profissional, as suas principais preocupações em relação ao trabalho, ou a sua apetência para a criação do seu próprio emprego. Por último, e de forma mais abrangente, é aferida a perceção dos jovens sobre o seu grau de felicidade global. 47
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