ICS Portugal Social em Mudança 2015

mais 1,4 e 1,6 horas por semana. Importa ainda sublinhar a persistência da disparidade de género na participação de homens e de mulheres no mercado de trabalho, de cerca de duas horas semanais, apesar das mudanças que ocorreram na carga laboral ao longo destes 14 anos. Não há, portanto, sinais de convergência no tempo que homens e mulheres despendem a trabalhar profissionalmente. Todavia, no contexto da União Europeia, Portugal apresen- ta um valor relativamente reduzido de disparidade de género no número médio de horas semanais de trabalho pago em regime de trabalho a tempo inteiro (Figura 3.16). Esse valor é idêntico aos de Espanha, França e Finlândia e aos da maioria dos países da Europa Central, como Alemanha, Bélgica, Áustria, Polónia e República Checa. Os países com maior disparidade neste indicador são o Reino Unido, a Itália e a Grécia (entre 3,0 e 4,2 horas) e ainda a Irlanda, onde os homens trabalham em média cerca de mais meio-dia por semana do que as mulheres (4,4 horas). Pelo contrário, os países onde homens e mulheres que trabalham a tempo inteiro menos diferem no número de horas despendidas (entre 0,5 e 1,7 horas) são os países da Europa de Leste ( e.g . Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Bulgária, Hungria), assim como a Holanda e a Suécia. Com base nas respostas ao ISSP 2002/2012 à questão relativa à situação no emprego e ao número de horas despendidas a trabalhar profissionalmente, foi possível definir diferentes modelos de divisão do trabalho pago dos casais em que ambos são economicamente ativos (Figura 3.17). Os resultados indicam o predomínio e a estabilidade de um padrão de duplo emprego a tempo inteiro (mais de 30 horas semanais): 69,7% em 2002 e 70,8% em 2014. Já o modelo de duplo emprego «assimétrico», em que um trabalha a tempo inteiro e o outro a tempo parcial, decresceu nos últimos 12 anos praticamente em 10 pontos percentuais. Na verdade, parece ter havido uma decomposição deste modelo específico em modalidades que mais claramente refletem a precarização das condições laborais, pois cresceram as situações em que ambos estão desempregados, ambos trabalham a tempo parcial, um a tempo parcial e o outro está desempregado e, principalmente, o modelo em que um está a tempo inteiro e o outro está desempregado (passou de 9,7% para 16,2%). Neste sentido, a evolução nos modelos de divisão conjugal do trabalho pago parece resultar não de uma escolha das famílias, mas da crise económica atual e da consequente deterioração do mercado de trabalho e do aumento do desemprego. A comparação da situação dos casais economicamente ativos em dezasseis países da UE28 que participaram no ISSP 2012 coloca Portugal, França, países nórdicos e Letónia no grupo de países com uma elevada percentagem de casais em que ambos os cônjuges trabalham a tempo inteiro, entre 65% e 75% (Figura 3.18). Apenas a República Checa, a Eslováquia e a Eslovénia apresentam uma prevalência superior deste modelo. Já a Polónia, a Lituânia e a Croácia registam uma percentagem inferior de casais a trabalhar a tempo inteiro, entre 55% e 65%, enquanto a Irlanda, a Alemanha, a Áustria e a Espanha fazem parte do grupo com a menor percentagem, entre 44% e 55%. Mas se na Alemanha e na Áustria tal se deve à saliência do trabalho feminino a tempo parcial, em Espanha, à semelhança do que se observa em Portugal, a crise económica desencadeou uma escalada no desemprego. Com efeito, atualmente a Espanha é o segundo país europeu com a taxa de desemprego mais elevada (24% em 2014, segundo a OCDE). 40

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